quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Pessoa/Saramago

Fernando Pessoa é meu xodó. 
Os poemas dos seus heterônomos Álvaro de Campos e Alberto Caeiro já foram por mim lidos e relidos inúmeras vezes, já estão gastos os livros, amarelas as páginas, sujas de comida aqui e ali (comer lendo, mania feia). Alguns poemas são tão meus amigos, que já saem naturalmente as palavras da minha boca, não decoradas, mas como um canto que já me acostumei. 
Outro português que me é caro é o Saramago. Admiro as obras e o homem, principalmente. 
Aí que nunca tinha lido O Ano da Morte de Ricardo Reis, onde Saramago engenhosamente "explica" o destino do poeta do título depois da morte de Fernando Pessoa. Aí que comprei o livro e estou lendo. Mas menino, esse livro é uma coisa. Acompanhar o heterônomo de Pessoa como se fosse ser autônomo, por aí andando pelas ruas da Portugal de 1936 é curiosíssimo. E é delicioso encontrar trechos dos poemas de Campos, Caeiro e Reis espalhados pelas páginas do livro.
Tenho, porém, uma confissão a fazer: Reis é o alter-ego de Pessoa que menos me atraía. Talvez pelas odes, que, admito, me cansam um pouco - apesar de ser um preconceito, pois nunca parei devidamente para lê-las. Assim, agora darei uma chance aos poemas de Reis, já que estamos ficando tão íntimos.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

O Mundo Dentro de Mim.

Tenho o mundo dentro de mim.
Tenho a fome, as guerras, a pobreza, a peste, o holocausto, a escravidão.
Sou a mãe que chora a perda de um filho, sou a dor dilacerante do torturado, sou os milhões de sorrisos que brotam nas faces pueris de crianças brincando, sou a lágrima que escorre salgada.
Sou a euforia, a tristeza, a alegria, o sofrimento.
Sentimento atávico dentro de mim.
Sou mulher e sou todas as mulheres, todos os homens - a humanidade.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

A Caça


A Caça (2012) Poster
Assisti a um filme que nunca tinha ouvido falar, fora do circuito blockbuster daqui de Maceió e fiquei agradavelmente surpresa. Não que seja um filme leve, pelo contrário, "A Caça" (Jagten), trata de um assunto seríssimo e quase tabu: o abuso sexual de crianças por professores nas escolas. No caso do filme dinamarquês, o abuso não existiu, foi fruto da mente imaginativa de Klara (Anikka Wedderkopp), chateada com seu professor por não ter aceito um presente seu. Assim, Lucas - o excelente Mads Mikkelsen - começa a viver um inferno onde é execrado, violentado e excluído da sociedade por uma simples afirmação sem provas de uma criança. Pior, o pai da menina é seu melhor amigo, que passa a tratá-lo como um criminoso e monstro, que é o que todos pensam que é.
A questão que ficou, para mim, foi um problema com o qual me defrontei várias vezes enquanto estudante de Direito e atuante na área criminal: a pecha de ser acusado de um crime; é uma marca que não deixa o indivíduo, mesmo depois de absolvido, ela continua lá - "será que ele é mesmo inocente?". De pessoa, passa-se a monstro, e é difícil reverter essa imagem. 


terça-feira, 16 de julho de 2013

Questão de Opinião

Em tempos de muitas opiniões sobre todos os assuntos possíveis, eu, que sou de deixar bem claras as minhas, ando guardando-as para mim. 
Aqui em casa aprendi com meus pais que é preciso se posicionar sobre tudo, saber um pouco de cada coisa, entender o mundo para poder mudá-lo. Meu pai fez parte da luta contra a Ditadura Militar, através da UNE e me ensinou muito bem a diferença entre Direita e Esquerda, conservadores e revolucionários, o que são reacionários e libertários. Aprendi sobre política desde pequena (não a política da politicagem, mas a que importa para a organização da sociedade). Aprendi também a não me deixar ir com a corrente. Carl Sagan me ensinou que temos que ser críticos e, principalmente, conhecer o que estamos criticando. 
Essa onda de protestos me deixou bem dividida: enquanto achei legal a população tirar o bumbum do sofá contra as coisas erradas que estão entranhadas no Brasil, ao mesmo tempo identifiquei uma tendência de reclamar sem entender. Muita gente que se diz apolítica, apartidária, sem ideologias, dizendo "não somos de direita ou esquerda, queremos apenas boas ideias". Como assim, cara-pálida? Você tem que saber qual a sua posição, sim. Faz diferença, e muita. As políticas públicas mudam drasticamente se um Estado é social ou liberal. De que lado você está? Mais importante ainda, de que lado quem você vota está? Parece que as pessoas não se importam em entender isso, mas quando a bomba estoura, sobram culpas para todos os lados. A culpa é da Hitler ditadora Dilma. Ditadura? Gente, dá vontade de rir. Ninguém estudou no colégio o que foi a Ditadura? Quando as liberdades individuais eram retiradas, quando não se podia ter opinião própria, quando pessoas desapareciam sem motivo, quando artistas eram perseguidos, dentre outras aberrações anti-democráticas.
O Facebook virou um local de despejar pensamentos, ódios, indignações... que para mim soam tão vazios. Leio coisas que me deixam triste, triste de saber que o Brasil não conhece seu próprio passado. 
Assim, tenho me calado, porque tenho até medo de dar minhas opiniões e ser execrada, como vi acontecer com muitos colegas. Atacam o argumentador, não o argumento.
Mas, ó, saibam que: sou esquerdista a favor do estado social, não sou filiada a nenhum partido, mas simpatizo com o PT, PSOL, PSTU (sim, o PT. Ele não inventou a corrupção, e, inclusive está em sétimo lugar na lista elaborada pelo TSE que analisa esse quesito - atrás de partidos como o PSDB e DEM), apoio o bolsa família, acho que o PT fez coisas boas pelo Brasil, mas ainda faltou muito. Ah, sou ateia, feminista e a favor da descriminalização do aborto.
E sou cheia de opiniões.