MELANCÓLICA, EU?

Escrito num banquinho em frente ao mar de Sonho Verde, num fim de tarde nublado, no dia 22.04.2023

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SOZINHA

O exato momento em que comprovei – na verdade sempre soube - que estava sozinha dentro de mim mesma. Quando eu, ateia, pedi a deus, flutuando vulnerável dentro do mar, que a felicidade viesse para a minha vida.

Horas depois, a negação ou a ironia: o retorno da infância traumatizada, na forma de gritos e maldições contra mim. Estou sozinha e presa em mim mesma e a essa existência sem sentido. 

Dias depois, o castigo, a negação última. O sonho que me foi retirado, a sensação de não ser inteira, do futuro roubado, de ser desertada por esse ser antes mesmo da sua existência.

Será que posso sonhar? Será que consigo alcançar a esperança lá no fundo da caixa? Mas o fundo não tem fundo nem fim: impossível fincar minhas unhas nela. Do mesmo modo que falhei ao segurar Kairós - a oportunidade - pelo seu único cacho de cabelo quando passou correndo à minha frente.  Só o que há são pensamentos e sentimentos desconexos, aos quais os outros não podem ter acesso, por isso não entendem. 

Sofro pela ausência, pelo que não há, não houve nem nunca haverá. 

Sozinha. 

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